QUE OS ESTUDOS BÍBLICOS SEJAM ESTUDOS BÍBLICOS | Nem todas as aulas que a igreja oferece merecem esse título.

Por Menezes Neto      03/03/2019 18:01:31    
JEN WILKIN* No Sul, quando falamos sobre bebidas, nosso vocabulário pode ser confuso para aqueles que são de outras regiões do país. Quando oferecemos uma Coca-Cola, estamos perguntando se a pessoa gostaria de tomar um refrigerante qualquer. E quando lhe oferecemos chá, não queremos dizer uma xícara de Earl Grey. Supomos que implicitamente entendam isso. Como Sulista que sou, com parentes do Norte do país, posso afirmar que muitas reuniões familiares poderiam ter sido poupadas dessa confusão com um simples esclarecimento de termos. Usar muito uma expressão genericamente pode causar um mal-entendido maior do que simplesmente servir a bebida errada a alguém. Considere, por exemplo, a expressão Estudo Bíblico, como frequentemente é usada na igreja local. Na página da igreja na internet, não é raro encontrar aulas sobre casamento, finanças, pais, orações e livros da Bíblia, todas descritas como Estudos Bíblicos. Nesses encontros, coisas boas acontecem. As pessoas se agregam. Eles compartilham necessidades, confessam pecados e exploram temas através das lentes da Escritura. Mas nem todas essas aulas são estudos Bíblicos. Com o passar do tempo, o "estudo da Bíblia" converteu-se numa expressão abrangente para descrever todos os tipos de estudos. Nas palavras do admirado Inigo Montoya em A Princessa Prometida: "você continua a usar essa palavra. Eu não acho que ela significa o que você acha que significa." À medida que expandimos nosso uso do termo, minimizamos o número dos verdadeiros estudos Bíblicos que oferecemos. As igrejas gradualmente se distanciariam da oferta de estudos Bíblicos básicos em favor de estudos temáticos ou devocionais, adotando formatos que se assemelham mais a um debate de um clube de livros do que uma classe que ensina as Escrituras. A evidência dessa tendência está em toda parte, desde das páginas das igrejas na internet até a seção dos mais vendidos na livraria Cristã. Poucos Cristãos reivindicam pelo lançamento de um estudo linha-por linha de Deuteronômio, mas por um livro sobre o que a Bíblia diz sobre imagem corporal ou outro tema quente esgotado nas prateleiras. Estudos temáticos, grupos devocionais e debates sobre livros são benéficos, mas não fundamentais. A igreja serve bem aos seus membros, oferecendo ambientes de aprendizado dedicados a abrir a Bíblia e explorar uma passagem por vez, um livro de cada vez. Essas aulas constroem a alfabetização Bíblica de que os Cristãos de hoje precisam tão desesperadamente ao transmitir as habilidades de observar, interpretar e aplicar o texto. E a igreja precisa anunciar a existência e o propósito dessas aulas com clareza. As igrejas devem distinguir claramente entre o que é estudo Bíblico e o que não é, pois o frequentador comum da igreja pode não ser capaz de fazer tal distinção. Reconhecendo que eles devem estudar a Bíblia, Cristãos sérios se inscrevem no que rotulamos como estudo Bíblico, supondo que assim seja. No entanto, o analfabetismo bíblico permeia nossas igrejas, favorecido não intencionalmente pela nossa rotulagem. Muitas vezes, sou informada no final de um estudo básico linha por linha, “Tenho participado de estudos Bíblicos há anos, e nunca estudei a Bíblia desta forma.” O falecido Howard Hendricks desafiou aspirantes a professores da Bíblia com este princípio: nunca faça para seus alunos o que eles podem fazer por si mesmos. Se for "estudo Bíblico", deve ser um lugar onde o discípulo esteja aprendendo a fazer o bom trabalho, onde ele aprende a ser um "trabalhador incondicional, compartilhando corretamente a palavra da verdade". Então, qual é a solução? Na minha própria igreja, tomamos o cuidado de sermos precisos em nossa terminologia. Ainda oferecemos aulas sobre temas e livros, mas não chamamos esses encontros de estudos Bíblicos, nem eles prevalecem no que oferecemos. Comprometemos um orçamento significativo e espaço no calendário para fornecer estudos básicos, ambientes de instrução Bíblica. Falamos precisamente e sem apologias sobre seu propósito e valor, e estabelecemos uma expectativa clara para o que eles implicam. Denominar as aulas com termos corretos ajuda os alunos a saber como determinar suas escolhas. Ajuda-os a entender as aulas de estudo não-bíblico como sendo suplementos e não substitutos do estudo básico da Bíblia. Puro e simples, se você se inscrever em um estudo Bíblico, você deve estudar a Bíblia. Adotando uma definição mais precisa de "estudo Bíblico" e oferecendo aulas que cumpram o que oferecem, as igrejas ajudam seu povo a fazer exatamente isso. Elas oferecem uma grande quantidade de água para aqueles que têm sede das Escrituras; sem permitir confundir as bebidas.

* Jen Wilkin é membro da Village Church, em Dallas. É professora de estudos bíblicos para mulheres e autora dos livros Mulheres da Palavra e Incomparável, ambos publicados pela Editora Fiel. ** Artigo originalmente publicado na revista Christianity Today, em março de 2017 – Traduzido por Marcia Elias, Fevereiro 2019.

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