A CONDIÇÃO DE PAULO E SEU CONSELHO AOS ANSIOSOS

Por Menezes Neto      09/03/2019 10:37:17    
 
                A carta aos Filipenses, escrita pelo Apóstolo Paulo, tem como alguns dos seus objetivos agradecer aos irmãos as ofertas que ele havia recebido, relatar as circunstâncias em que ele estava e encorajar a Igreja a se manter firme diante das perseguições que ela vinha sofrendo.
            Paulo estava em condição de sofrimento quando escreveu essa carta. Ele estava preso (provavelmente em Roma), logo, impossibilitado de anunciar o Evangelho de Cristo como gostaria. Todavia, "a palavra de Deus não estava algemada" (2Tm 2.9), de maneira que "suas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas" (1.13). A prisão de Paulo não impediu a pregação do Evangelho, pelo contrário, fez com que a palavra de Deus fosse anunciada com mais veemência e intrepidez.
            Diante das circunstâncias, a Igreja de Filipos estava ansiosa. Muitos crentes estavam desanimados, tristes e impacientes com a prisão prolongada de Paulo, e também com as perseguições que os crentes estavam sofrendo por causa do Evangelho de Jesus Cristo.
Perante esse cenário, a Prisão não roubou a alegria de Paulo. Mesmo da prisão, ele exortava os crentes de Filipos: alegrem-se sempre no Senhor; outra vez eu digo: alegrem-se (4.4 NVI).
Não é coincidência que a carta aos filipenses é também conhecida como "carta da alegria" visto que a palavra "alegria" ocorre 16 vezes nas suas variadas formas.
            É nesse contexto que Paulo escreve: "Não andem ansiosos por coisa alguma..." (4.6 NVI). Em uma lógica comum, nós esperaríamos que os filipenses conforta-se o Apóstolo Paulo, não o contrário, visto que a condição de Paulo (ele estava preso) era de maior sofrimento do que a dos filipenses. A Igreja de Filipos estava ansiosa, Paulo não. Paulo tinha plena confiança em Deus e sabia que mesmo em meio às adversidades, Deus estava perto (4.5) cuidado de sua vida e acalmando o seu coração. Para ele, o viver era Cristo, e o morrer era lucro (1.21).
Paulo aconselha os crentes ansiosos que apresentem a Deus todas a suas necessidades, pela oração e pela súplica, em ação de graças (4.6).
O conselho de Paulo não está restrito apenas às pessoas daquela época. A palavra de Deus é viva, e se renova a cada manhã. Parafraseando o saudoso evangelista Billy Graham, "o conselho de Paulo é mais atual do que o jornal de amanhã". Logo, o conselho de Paulo é também para nós.
            Nós não somos de ferro. Muitas vezes deixamos o medo e a incerteza tomar conta do nosso ser, e como consequência disso, a confiança em Deus se desvanece. É nessas horas que devemos nos apegar ao conselho do Apóstolo Paulo, buscando descanso por meio da oração e súplica com inteira confiança no Senhor, assim como Paulo fez. Orar em meio a ansiedade e tribulação é difícil, mas se faz necessário. O contato com Deus traz calmaria à alma e força para continuarmos prosseguindo para o alvo que é Cristo. Como resultado, seremos felizes em Deus, não importa as circunstâncias.
Há um eco aqui com os ensinamentos de Jesus Cristo no Sermão do Monte (Mt. 6.25-31). Assim como Deus cuida das aves do céu ele também cuida de nós. Basta buscarmos o reino de Deus em primeiro lugar, com confiança, fé e coragem, crendo que as demais coisas serão acrescentadas. Diante das tribulações do dia a dia, devemos lançar nossas ansiedades, medos e temores aos pés da Cruz de Cristo, confiando que mesmo em meio às provações, ele tem cuidado de nós (1Pe 5.7), até mesmo nos pequenos detalhes.
            Alguém disse certa vez que: "Não há nada muito grande para o poder de Deus, nem muito pequeno para o seu cuidado paternal". Assim como Deus ouviu o choro do menino Ismael no deserto (Gn 21.17), ele também ouve os nossos gemidos e responde às nossas petições. Ele nota nossas pequenas atitudes e nossas poucas palavras que muitas vezes nós não lembramos. Deus ouve e não esquece. O seu cuidado paternal é real.
O resultado de depositarmos nossa confiança em Deus mediante a oração e súplica, é que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os nossos corações e os nossos sentimentos, em Cristo Jesus (4.7). A paz de Deus não significa ausência de sofrimento, mas a presença de Cristo em nossas vidas caminhando conosco lado a lado. Seja na tempestade, ou na calmaria; no deserto ou em Canaã. Lugares escuros e sombrios podem surgir no meio do caminho, todavia, a luz do mundo (Jo 8.12) iluminará nossos passos e nos guiará por terra firme, onde caminharemos com plena alegria e Satisfação em Deus.
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Leones Andrade é cristão, membro da Assembleia de Deus da Ilha do Governador (ADIG - CADB) e Secretário da Escola Bíblica Dominical. Graduando em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO).

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