AS QUATRO PONTAS DA CRUZ DE CRISTO

Por Menezes Neto      12/03/2019 20:37:18    
O pastor Claudionor de Andrade, em seu Dicionário Teológico, nos apresenta o vocábulo “cruz” [Do Gr. stauros; do lat.crux] como um “instrumento de execução capital” que se estrutura por dois madeiros entrecruzados, onde eram crucificados os condenados à morte como pena por determinados crimes.
A cruz era um instrumento de tortura e um símbolo de morte usado pelos romanos e por outros povos em épocas diferentes, de forma que havia vários instrumentos de tortura e morte. Mediante isto, uma pergunta pode nos surgir: por que Jesus morreu logo em uma cruz? Simples, a cruz era o pior, o mais terrível e o maldito instrumento de tortura que existia, pois além de torturar o corpo acabava com a moral e a reputação do condenado, ou seja, o crucificado era visto como um maldito e o pior dentre homens – a ignomínia da cruz, como nos apresenta a Bíblia.
Na época de Cristo existiam quatro principais tipos de cruz, a crux immissa, ou “cruz latina”, que tinha a forma de um “t” minúsculo; a crux comissa, que tinha a forma do “T” maiúsculo e era conhecida também como “cruz de Santo Antônio”; a “crux decussata”, que tinha a forma da letra “x” e era conhecida também como “cruz de Santo André”; e a cruz Grega, que tinha uma viga horizontal no centro, semelhante ao sinal de adição (+). Segundo os historiadores, Jesus foi crucificado na cruz latina, também chamada de cruz Cristã. Isto posto, neste estudo discorreremos acerca das quatro pontas da cruz de Cristo, analisando sua simbologia.
A ponta de cima da cruz de Cristo apontava para o céu
Há mais de quatro mil anos, em meio ao desespero e sofrimento, Jó perguntou: “morrendo o Homem, porventura tornará a viver?” (Jó 14.14). Séculos se passaram antes de haver a resposta certa e final dada por Jesus Cristo: “disse-lhe Jesus: eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês tu isto? (Jo 11.25-26). Jesus disse aos seus discípulos: “Na casa de meu pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar- vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também”. (Jo 14.1-2).
O pastor e escritor Dr. Steven J. Lawson escreveu sobre o céu e afirmou: “não se enganem o céu é um lugar real. Não é um estado de consciência. Nem uma invenção da imaginação humana. Nem um conceito filosófico. Nem abstração religiosa. Nem um sonho emocionante, nem as fábulas medievais de um cientista do passado. Nem a superstição desgastada de um teólogo liberal. É um lugar real onde Deus vive. É um lugar real de onde Deus veio para este mundo e é um lugar real para onde Cristo voltou na sua ascensão com toda a certeza!” (LAWSON, 1995, p. 16)
A Bíblia não diz tudo que a nossa mente cogita sobre o céu, mas nos dá vislumbres do futuro para nos encorajar no presente. O ladrão que estava ao lado direito de Jesus no momento da crucificação aproveitou a sua última oportunidade e, certamente, hoje descansa na morada celestial, lugar onde um dia também iremos desfrutar. Aleluia!
A ponta de baixo da cruz de Cristo apontava para o inferno
Deus quer que todas as pessoas sejam resgatadas de seus pecados e conheçam a verdade (I Tm 2:3-4). Ele deseja que todos se arrependam e venham a conhecê-lo (2 Pe 3:9). Assim como o céu será a morada de todos os que reconhecerem a Jesus como Senhor e Salvador, o inferno será a eterna morada de todos aqueles que rejeitarem a Cristo. Jesus ensinou sobre o inferno mais do que qualquer outra pessoa na palavra de Deus, e o descreveu como um lugar de fogo eterno (Mt 25:41), de punição eterna (Mt 25:46), de tormento, fogo e agonia (Lc 16:23-24), de modo que em suas palavras havia diversas exortações acerca disso (Mt 5:22,29-30; 10:28; 23:15,33; Mc 9:43-47; Lc 12:6; 16:23). O Mestre morreu por nossos pecados, pagando a nossa dívida e nos livrando do inferno (2 Co 5:21). O ladrão que estava ao lado esquerdo de Jesus na cruz provavelmente já teria ouvido falar sobre o inferno, no entanto, preferiu desperdiçar a sua última oportunidade de arrependimento, destinando-se a passar a eternidade sem Jesus, no tormento (Mt 18:9).
A ponta esquerda da cruz de Cristo apontava para o ladrão de coração duro
A ponta esquerda da cruz apontava para o ladrão que não se arrependeu dos seus pecados, e a atitude daquele ladrão representa aquelas pessoas que fecham o coração para Deus, aquelas que nos últimos momentos de vida têm a chance de ter um encontro com Jesus, mas desperdiçam sua última oportunidade. Tão perto de alcançar a salvação, mas ao mesmo tempo totalmente perdido. Assim, esse ladrão nos faz lembrar dos que buscam alcançar a salvação através de seus próprios esforços e que preferem se juntar aos escarnecedores (Lc 23:39), desprezando o filho de Deus.
A ponta direita da cruz de Cristo apontava para o ladrão arrependido
O ladrão que estava ao lado direito da cruz de Cristo, aproveitou a sua última oportunidade. A ponta direita da Cruz nos fala daqueles que não adiam a sua decisão, que se arrependem de seus atos e clamam por perdão (Lc 23:40-43), representa todos os que diante de Deus se arrependem de seus pecados e abrem o coração para Jesus; aqueles que não confiam na justiça própria, mas na justiça de Deus. Jesus perdoou os pecados do ladrão arrependido e sua fé em Cristo determinou o seu destino (Ef 2:8).
Ambos os malfeitores na cruz eram pecadores, um, porém, agarrou a oportunidade que teve e voltou-se para Jesus, enquanto o outro perdeu sua última chance de redenção; ambos estavam condenados ao inferno, mas um encontrou misericórdia, arrependeu-se e recebeu da parte de Cristo o perdão.
Dessa maneira, cada ponta da cruz de Cristo apontava para um lugar: o lugar de tormento eterno, o de descanso eterno com Cristo e também para os dois ladrões que tiveram ações diferentes diante da oportunidade oferecida por Jesus. Ainda hoje Jesus oferece oportunidade de salvação a todas as pessoas, cabe ao homem decidir o seu destino.
O pastor Orlando Boyer dizia que o ladrão salvo na cruz é um dos exemplos mais notáveis de conversão repentina. Quando tentados a pensar que se precisa de um ano, de seis meses, de um mês, de ao menos uma semana para o pecador se converter em um santo, convém-nos meditar novamente no caso do ladrão salvo depois de cravado na cruz. Esse salteador era um dos mais vis, senão, não o teriam crucificado, contudo, Cristo o salvou e no mesmo dia o levou consigo ao paraíso.
Referências
ANDRADE. Claudionor. Dicionário Teológico, CPAD, Rio de Janeiro, 2013.
BOYER. Orlando. Espada cortante 2, CPAD, Rio de Janeiro, 2010
LAWSON, Steeven J. Heaven help Us! Truths About eternity that will help you live today (colorado springs: Naupress, 1995)
 
Ismael Ferreira Silva é evangelista na AD em Caracol – PI, membro da CEADEP e CGADB, professor, graduado em Teologia, neuropsicólogo, pós-graduando em filosofia, especialista em docência do ensino superior, acadêmico de Pedagogia, diretor do Centro preparatório para obreiros (CPPO).

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