VOX POPULI, VOX DEI

Por Menezes Neto      08/02/2019 22:50:52    
"VOX POPULI, VOX DEI"
Hertz Pires Pina Júnior[1]
“A democracia é a coisa mais vergonhosa do mundo” 
(Edmund Burke)
Conforme Rousseau (2015), a Democracia do “Soberano" é exercida por meio do povo, estando o Príncipe submisso à sua vontade, de forma a constituir dois tipos de Democracia: a direta e a representativa; naquela, os cidadãos votam de forma direta nos assuntos que estão em pauta, governando a si mesmos, todavia, nesta, os cidadãos escolhem representantes para que governem em seus nomes.
A Democracia representativa (indireta), especificamente, é subdividida em duas teorias, a primeira é denominada de "Teoria da Delegação", na qual o governo está vinculado às opiniões do povo e todos os seus atos devem refleti-la. Paul-Louis Courier designa essa questão como a "teoria do motorista de ônibus", em que temos a impressão de que o governo – representado como o motorista – está nos guiando a partir da condução, mas na verdade limita-se a nos levar – os passageiros como representação do povo – onde queremos chegar.
Contudo, a noção de representante que parece dar certo pode-se afirmar na segunda teoria, a "Teoria do Tutor", na qual o governo não está obrigado a agir como o povo quer, mas sim em prol dos seus próprios interesses. Essa problemática está ligada diretamente com o pensamento defendido por Edmund Burke, ao afirmar que a
[...] opinião imparcial, juízo maduro e consciência esclarecida não devem ser sacrificados nem a vós nem a qualquer outro homem ou grupo de homens viventes. Tais coisas, não derivam do vosso querer. Elas lhe foram confiadas pela Providência, perante a qual ele terá de prestar contas caso as use mal. Vosso representante vos deve não somente a sua diligência, mas também o seu discernimento. Ele vos trairá, ao invés de vos servir, caso sacrifique este último à vossa opinião. (BURKE, 2017)
Quais os seus reflexos?
A Democracia tende a propagar a ideia de que o poder é exercido através da "soberania popular", reconhecendo que a vontade do povo é infalível, estando os governantes sujeitos a essa vontade. David Koyzis (2014), por sua vez, afirma que "um bom governante se preocupa com a opinião do povo em relação a uma questão particular, não para seguir mecanicamente a sua vontade, e sim para descobrir até onde essas pessoas estão dispostas a acompanhar a sua liderança”. Essa tese, logo, parece ser a que mais coaduna com a segunda teoria, a da democracia representativa.
Edmund Burke (2017) reflete em torno de alguns apontamentos, como o de que reduzir todo o poder à vontade do povo terá como consequência aproximá-lo ainda mais da cartilha da esquerda. O Brasil tem experimentado esses sofismas, ao pôr em prática o conceito da Democracia tão somente aos seus desejos infames, que destroem a ética e a moral do povo na defesa daquilo que vai de encontro de forma direta às escrituras sagradas. Ora, designar toda responsabilidade ao povo não é a cura para os problemas morais, já que o próprio povo é que tem necessidade de uma educação central, especificamente Cristocêntrica.
Por fim, a ideia de que o povo exerce de maneira absoluta o poder dentro da comunidade é tão idólatra quanto os demais espectros políticos, pois “os cidadãos de uma Democracia tipicamente fazem exigências contraditórias aos seus políticos e ao sistema de governo [...] esperando que os políticos acatem os desejos do povo, mas ao mesmo tempo exigindo uma liderança forte", como afirma Rick Groen.
Referências bibliográficas
BURKE, Edmund. Reflexões Sobre a Revolução na França. 1ª ed. Editora Vide, 2017.
KOYZIS, David T. Visões e Ilusões Políticas – Uma análise & crítica cristã das ideologias contemporâneas. 1° ed. São Paulo – SP, Edições Vida Nova, 2014.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. O Contrato Social: Princípios do Direito Político. 2ª ed. Editora Edipro, 2015. 
 
[1] Cristão, advogado, graduando em Teologia pelo Instituto Teológico Superior de Missões - ITESMI, mestrando em Ciência Política (PPGCP/UFCG). Membro da Igreja Bíblica Semear - Campina Grande - PB.

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